Um desafio para uma constelação educativa
cada estrela tem um brilho próprio, juntas desenham um caminho mais humano!
A 28 de outubro do ano passado, o Papa Leão XIV publicou uma carta apostólica intitulada “Traçar novos mapas de esperança”. Esta carta celebrava o 60º aniversário da Declaração conciliar Gravissimum educationis. Em pleno Concílio Vaticano II, a Igreja, com esta declaração, pretendia realçar a importância e a atualidade da educação na vida da pessoa humana.
O preâmbulo da Carta Apostólica “Traçar novos mapas de esperança” dá-nos o sinal para um texto repleto de pistas de esperança num mundo de incertezas e de fragilidades na área da educação.
“Hoje, diante de mudanças vertiginosas e de incertezas que desorientam, essa herança mostra uma surpreendente estabilidade. As comunidades educativas que se deixam guiar pela palavra de Cristo não retrocedem, mas revitalizam-se; não erguem muros, mas constroem pontes. Reagem com criatividade, abrindo novas possibilidades à transmissão do conhecimento e do sentido na escola, na universidade, na formação profissional e civil, na pastoral escolar ejuvenil e na investigação, pois o Evangelho não envelhece, antes renova «todas as coisas» (Ap 21, 5)”.
A Carta pode ajudar a traçar caminhos, principalmente, num ano letivo que inicia com angústia e algum desânimo no universo educativo. Estratégias de exames que correram menos bem, resultados do Relatório Pisa que se revelaram pouco animadores, as redes sociais que dominam a vida dos alunos, o perigo da inteligência artificial no contexto da aprendizagem, falta de professores – são exemplos de uma névoa que, aparentemente, não permite vislumbrar a esperança.
Leão XIV reconhece as dificuldades que os novos tempos trazem à educação – por exemplo, a inteligência artificial e o mundo digital. Por estas e outras razões, “a educação não é apenas transmissão de conteúdos, mas aprendizagem de virtudes. Formam-se cidadãos capazes de servir e crentes capazes de testemunhar, homens e mulheres mais livres e menos sós.”
Na linha do Papa Francisco, reafirma-se a necessidade de um Pacto Educativo Global, que seja orientado para a fraternidade universal: colocar a pessoa no centro; ouvir as crianças e os jovens; promover a dignidade e a plena participação das mulheres; reconhecer a família como primeira educadora; abrir-se ao acolhimento e à inclusão; renovar a economia e a política ao serviço do humano; cuidar da casa comum.
Cada uma destas ideias pode ser uma estrela, com um brilho próprio – juntas traçam um mapa gerador de humanização.
Eduardo Marques | Grupo Missão Mundo