desafios de uma Visita Apostólica para a paz!”
A visita do Papa Leão XIV a França marcou as comunidades cristãs e a sociedade em geral. Cumpriu-se a missão que se espera do líder religioso que tem como guia a figura de Jesus Cristo: motivar a esperança no ser humano, estimular o debate, provocar o diálogo sobre assuntos de cariz religioso, social, político e ético.
Num contexto de vínculo laico bastante forte, a visita do Papa recuperou nos franceses os problemas sobre a relação entre Estado e Igreja. Na equação, não podemos esquecer crescente presença de outras convicções religiosas, nomeadamente, o aumento das comunidades muçulmanas em França e por toda a Europa. Levantaram-se questões sobre os custos e o financiamento da visita e o papel do Estado. Como habitual neste tipo de visitas, o Estado francês assumiu os custos da segurança e outras estruturas de apoio à organização. O diálogo entre instituições civis e instituições religiosas tornou-se ação – recorde-se a colaboração na reconstrução da Catedral Notre-Dame.
Na primeira Audiência Geral após a Visita Apostólica a França, Leão XIV, em jeito de balanço, afirmou que a “sinergia em prol do bem comum deveria ser o padrão de atuação para as instituições, forças políticas e sociais, e para todos aqueles que detêm responsabilidades cívicas e económicas. É esta a mensagem que desejei transmitir às autoridades francesas, bem como aos membros da Unesco (…), destacar o critério fundamental sobre o qual tal colaboração deve assentar: a dignidade da pessoa humana.”
Num sentido diferente, as vozes também ecoaram para o interior da igreja, para a sociedade e para o mundo – para que o mundo tenha vida! Para os que foram vítimas do abuso sexual dentro da igreja, para os que se encontram em condição de fragilidade física e psicológica e que peregrinam a Lourdes, que este santuário continue a apresentar-se ao mundo inteiro como um santuário da civilização do amor.
Foram abordados assuntos em que há, claramente, um desalinhamento ideológico entre a Igreja e o Estado (ou partes da sociedade civil francesa) como o aborto e a eutanásia. Leão XIV assume a coragem da sua mensagem: A proteção da vida e da dignidade humana. Recordando o encontro de há 40 anos em Assis sobre a necessidade de uma paz verdadeira entre os povos, foi assinada por diversos líderes religiosos franceses (Protestantes, Ortodoxos, Judeus, Budistas, Muçulmanos e Católicos) uma declaração de paz – o “Apelo de Metz”:
“(..) Divergimos nas nossas convicções religiosas, mas estamos unidos pela responsabilidade de servir juntos pela paz no mundo e pelo respeito à dignidade de cada pessoa humana. Portanto, assumimos hoje três compromissos concretos: buscar diligentemente um diálogo exigente entre nós; continuar a educar as nossas gerações mais jovens na compreensão mútua das nossas tradições; e permanecer unidos, inclusive na adversidade, para trabalhar em prol da promoção da justiça e da paz.”
A partir desta bússola de esperança, que o mundo cada vez mais bélico, se converta num mundo com mais vida!
Eduardo Marques | Grupo Missão Mundo