O livro: O Monge e o Executivo: Uma História de Liderança permaneceu durante alguns meses, na minha mesa de cabeceira, o título fazia-me esperar uma leitura demasiado teórica, mas logo percebi que era uma história cativante e enriquecedora.
Tudo começa com um executivo que enfrenta dificuldades nas suas relações pessoais e profissionais. Sente que não é compreendido, que não consegue comunicar nem transmitir os seus ensinamentos. Quem nunca se sentiu assim, perdido perante os problemas do quotidiano?
É aí que decide passar uma semana num mosteiro, motivado sobretudo pelo desejo de conhecer um dos monges, um antigo executivo que era um grande exemplo de liderança. Claro que o motivo não era o encontro com Deus, o que me levou a refletir sobre como, perante o caos da vida, procuramos respostas em muitos lugares diferentes.
Eu não imaginava o quanto esta experiência vivida através desta personagem me aproximaria d’Ele e o impacto que teria na forma de olhar para a vida. A experiência no mosteiro dividia-se entre oração e ensinamentos sobre uma liderança, mas não se trata de uma liderança baseada no poder ou na autoridade. O grande ensinamento do livro é a liderança através do serviço: liderar colocando o outro em primeiro lugar, procurando compreendê-lo e responder às suas necessidades.
A leitura ensinou-me a olhar para cada pessoa para além do papel que desempenha na nossa vida, reconhecendo as suas vontades, necessidades e motivações. E automaticamente a minha cabeça foi para a passagem bíblica
“Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” (Mt 22:36-40)
Esta passagem resume, para mim, o essencial do livro. O monge apresenta Jesus como o maior exemplo de liderança e influência, e esta leitura fez-me compreender profundamente essa ideia. Mais do que aprender sobre liderança, fez-me desejar aproximar-me de Jesus. Afinal, amar o próximo implica tê-lo em consideração em tudo o que fazemos. É nessa entrega ao outro que encontramos uma forma mais plena de viver.
Ana Filipa Texeira