É por Ele ter estado sempre ao seu lado?
Um livro adaptado para cinema, por vezes passa melhor a mensagem do autor, sendo frequente estar presente durante as filmagens. Unstoppable (Imparável) traz-nos o caso da vida real de Anthony Robles (autor do livro escrito com Murphy, A.), interpretado por Jharrel Jerome. Anthony, nascido sem a perna direita, vai desafiar todas as probabilidades físicas e sociais atrás do seu sonho na área da competição da luta livre. “Os sonhadores são tão grandes quanto os seus sonhos…”
Retrata a fase da vida de Anthony na passagem do ensino médio para o universitário. Recusada uma bolsa de estudos pela sua condição física, entra como “walk-on” (sem vaga ou apoio garantidos) num conceituado programa da Arizona State University. Com treinadores exigentes, Anthony refina uma técnica de combate, única, assente na força do tronco e no equilíbrio. Transforma dificuldades, não ter uma perna, em vantagem dentro do tapete.
“O teu maior oponente nunca será o atleta que está à tua frente…”; assim, os combates mais difíceis acontecem fora da arena. As dificuldades financeiras, um ambiente em casa instável com um padrasto abusivo, o suporte da sua resiliência assenta no amor incondicional da sua mãe, Judy Robles (Jennifer Lopez), ao seu lado contra as adversidades.
Sob a direcção de Goldenberg, W., este drama desportivo evidencia como o espírito indomável de Robles o leva a ser campeão nacional invicto da NCAA em 2011. É um filme honesto, sem referências religiosas comuns neste tipo de películas, com uma intensidade que roça a rudeza; é um retrato poderoso sobre a dignidade humana, a dedicação disciplinada e a recusa inquestionável em aceitar os limites impostos por outros.
Após o abandono pelo pai à nascença, criado pela Mãe “como mãe faço escolhas e eu escolhi-te”, que volta a casar e assim passa a ter mais 3 irmãos. Mais tarde o padrasto sai de casa e retribui à Mãe, “Pronto. Eu estou aqui. Eu não vou embora.”
Há escolhas, pressão, trabalho árduo, em equipa. Há o acreditar em si, senão quem acredita (?), interiorizar que não há alegria sem dor, não há sucesso sem fracasso, e perguntas: se o que lhe falta é o que as pessoas veem, porque o fazes? E a resposta, “ser 2º, é para o resto da minha vida, é dizer que estive perto. Terão pena de mim. Se ganhar, ter só uma perna não será importante. A única solução é agir.”
Infiro que ser paciente é uma forma de vencer, sobretudo, recordar que “quem és é suficiente” e “o carácter de um homem é o seu destino.”
A perseverança é premiada; finalmente vence e torna-se campeão, e ainda no tapete, com os dois indicadores aponta para cima, para o céu.
É subliminar este gesto para Ele? É por Ele ter estado sempre ao seu lado?
António Balau