A arte é uma disciplina que o homem bem pode pôr ao serviço da humanidade. Através da arte, o homem pode externar ao mundo a beleza e a essência do próprio Deus, muitas vezes sem falar diretamente d’Ele. Para nós, foi isto o que nos transmitiu o filme chamado «Escritores da Liberdade», «Freedom Writers» no seu título original, baseado em eventos reais e no livro «The Freedom Writers Diary».
Se calhar este filme não é bem uma obra-mestra da sétima arte, mas sim uma obra que põe em manifesto como o próprio ser humano com seus dons e capacidades, é para Deus meio para contribuir para o bem e dignidade do outro.
O filme relata a vida de muitos jovens migrantes, que vivem em situações de discriminação, injustiça e desigualdade social. Diariamente vivem na tensão por rivalidades de gangues, e são rotulados pela sociedade como perigosos, irrecuperáveis e sem perspetiva de futuro, negando-lhes assim a possibilidade de mudar.
Ainda que o sistema educativo inclui programas de integração social, estes jovens que pertencem á turma 203, são rejeitados. Os próprios professores não acreditam que eles possam ser homens e mulheres de bem, construtores de uma sociedade mais humana e justa. Os professores não reconhecem neles, a dignidade inalienável que Deus concedeu a cada pessoa.
É neste contexto que aparece Erin Gruwell, uma jovem professora com uma visão diferente, alguém que vê nos jovens, não casos perdidos, mas que vê pessoas, histórias, vidas que merecem uma nova oportunidade. Ela põe em contacto as histórias e as feridas destes jovens, com as feridas da humanidade. Apresenta-lhes o dramático episódio da história, o holocausto, assim como vidas como a de Anne Frank e Miep Gies, que ainda no sofrimento e na escuridão, olharam para a vida com esperança.
A história de Escritores da Liberdade é um filme que ainda sem falar concretamente de Deus, mostra-nos como Ele pode manifestar o seu amor através de pessoas que acreditam e confiam em nós. A professora Erin, viveu virtudes, valores e atos de amor gratuitos, assim como Deus faz com cada um de nós. Foi através da compaixão, do acolhimento, da escuta, da escrita, do respeito, que os jovens começaram a reconhecer o seu próprio valor e a transformar suas feridas em sementes de esperança. Deus encontrou-se com eles no coração, mostrando-lhes que não estavam sozinhos, que suas vidas podiam trazer luz a outras vidas. Lembra-nos como Miep Gies disse aos jovens, «que no quotidiano, só devemos fazer aquilo que nos corresponde fazer. Nós, somos todos pessoas comuns, mas mesmo uma simples secretária, ou uma dona de casa, ou um adolescente, mesmo que com pequenas atitudes, pode acender uma luzinha numa sala escura».
Elina, Nilza, Josefina e Marianela , CSP