A graça, que podemos definir como dom incondicional de Deus, é o título deste filme que, de forma desconcertante, acompanha um presidente italiano no final do seu mandato. Mariano de Solis é um homem exteriormente rígido, com um interior em grande turbilhão e que vai colocando questões sobre a vida e a morte que ficam a pairar ao longo do desenrolar do filme e na consciência de cada um de nós.
O presidente dá espessura, corpo e música ao filme. A banda sonora, que vai de música clássica, a música eletrónica e rap, faz-nos adentrar, brilhantemente, na vida interior da personagem principal. Ele está perante duas grandes decisões de final do seu mandato: a aprovação da lei da eutanásia, ativamente defendida pela sua filha, e a análise de duas petições de indulto de dois crimes de homicídio: um sujeito que tirou a vida da própria esposa doente e que agora está em greve de fome e uma mulher que matou o marido que a agredia, e que não se arrepende do assassinato. Deveria ele conceder o perdão?
Aparecem vários argumentos e tentativas de influenciar a sua decisão: o de ficar bem visto e cerrar com chave de ouro o seu mandato; a sua fé e o valor da vida para um cristão; o agradar e o desejar aproximar-se dos seus filhos.  A música ajuda-nos a entrar nos seus dilemas, nas suas mágoas e conquistas e no desejo de fazer o que é “justo”.
Esta história faz-nos refletir sobre o papel da fé.

Ser cristão tem um impacto real nas decisões que tomo, a nível pessoal e para o bem comum, ou é algo compartimentado? Deus está mesmo presente nas decisões que tomo ou é alguém a quem recorro só para quando me convêm? Acredito na “graça” ou só a peço na “desgraça”?

Ao longo do filme sugere-se que tudo se resume a uma questão: “A quem pertencem os nossos dias?” como chave para os dilemas a que é exposto. O título, nada evidente, faz-nos refletir perante o final do filme. Talvez o perdão seja mesmo a maior das graças!

Joana Ribeiro, ICSP

“oceano no qual me mergulho e perco” (MI)

Em Deus, a nossa vida encontra o sentido, o seu lugar. Às voltas com Deus, voltamos a casa. Somos procurados, amados e enviados. Somos, infinitamente, buscadores apaixonados de Deus. Vivemos mergulhados no silêncio, na oração, na contemplação, no serviço e no encontro, trilhos que permitem a escuta e o espanto perante a possibilidade do Outro, de ser palavra sua e reino seu, espaço de bondade e beleza que revela Deus.