Celebramos 100 anos da instituição do Mês Missionário pelo Papa Pio XI. Em outubro, a Igreja relembra a importância da evangelização em todo o mundo: oração, sensibilização, reflexão, doações para projetos, formação e vigílias em
torno do tema central: “Um em Cristo, unidos na missão” e o lema “Para que o mundo creia” (João 17,21). Num mundo global, congregações com os seus
religiosos e leigos continuam empenhados em alargar a tenda, em mostrar a Verdade do Amor, para que Cristo se revele nas comunidades mais distantes e em cada ser humano, aparentemente, desconhecido
Carregados dos preconceitos do peso da história política, da história da igreja e das dinâmicas sociais, a envangelização para além das fronteiras geográficas, culturais e religiosas vai ganhando novos desafios num cenário global.
Como viver o processo de inculturação nas ações missionárias? Estarão os
diferentes movimentos missionários, por exemplo, os movimentos com a
origem na europa, a impor a sua cultura a um povo para que ele se torne
cristão? Ou procuram que a fé ganhe raízes e se expresse através da própria
cultura, língua, símbolos e tradições locais?
Para que a radicalidade da mensagem cristã seja enraizada e se faça corpo,
como lidamos com as questões geopolíticas entre os países tradicionalmente desenvolvidos/ricos e os países em desenvolvimento?
Como as comunidades cristãs do Norte lidam com nova realidade de uma
inversão missionária? Hoje são os padres e religiosos de África, da Ásia e da
América Latina a evangelizar as paróquias vazias da Europa e da América
do Norte. Como lidar com possíveis focos de resistência, por parte de
paróquias e cristãos, pelo facto de serem orientados pastoralmente por
sacerdotes ou Irmãs oriundos das regiões do Sul?
Faz sentido os missionários assumirem o seu papel de evangelizadores em
regiões onde existe perseguição religiosa, instabilidades política, situações de extrema violência, colocando em risco a sua própria vida?
Estes e outros desafios são colocados aos missionários (consagrados e
leigos). Somos confrontados com o papel político da própria igreja. A igreja, na sua dimensão essencialmente espiritual, não pode demitir-se de outras
questões que conferem dignidade ao ser humano, por exemplo: na denúncia
das desigualdades sociais e no acolhimento de refugiados e imigrantes. A ação missionária necessita de se assumir de forma mais radical com os problemas do desenvolvimento: na educação, na cooperação e no desenvolvimento sustentável. Esta tarefa será tanto mais rica quanto mais se encontrar o diálogo com a sociedade civil, por exemplo, privilegiar o papel da ONU e das ONGD nas suas conferências/orientações sobre as questões do desenvolvimento, por exemplo, na concretização da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Recuperemos de Francisco dois textos fundamentais sobre estes desafios: a
Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho” (2013) e a encíclica “Ladauto
Si”, (2015). Estas visões clarificadoras da missão evangelizadora da igreja e do cuidado da casa comum traduzem a mensagem, para estes dias, do Papa
Leão XIV:
“Comprometamo-nos todos a contribuir, cada um segundo a própria vocação e dons recebidos, para a grande missão evangelizadora, que é sempre obra do amor. As vossas orações e o vosso apoio concreto […] serão uma grande ajuda para levar o Evangelho do amor de Deus a todos, especialmente aos mais pobres e necessitados.”
Para que em missão vivamos juntos!
Eduardo Marques | Grupo Missão Mundo